Postagens

Notice

The first poem post of the blog now has an english version available. Following posts will gradually be updated with their translations. Please understand that the full meaning, emotion and complexity of the poem can not be translated, therefore, as the writter, I'll try my best to convey the same results to english, even though it won't be a perfect process. Thank you for reading and enjoying my work. Also, regarding the posting schedule, this year's segments have been completed: Autumn 2021: March 24th - April 28th Winter 2021: June 2nd - July 7th The following segments will be released after being fully prepared and having it's translations added beforehand. Thank you all again for reading and enjoying my writing, I'll come back next time with more poems.

poemas; dualidades

Demorei muito tempo para entender como me via e como queria ser visto, meu ambiente familiar não me ajudou em nada nesse processo e ter que crescer de forma internamente conturbada atrasou bastante minhas tentativas. Há alguns anos eu tenho conseguido finalmente encontrar um corpo no meio dessa bagunça que eu carrego comigo. Ainda é difícil lidar com estímulos opostos todos os dias e conciliar minhas identidades em uma coisa só, não tenho perspectivas de futuro nem noções de uma percepção melhor, mas esse caminho se tornou bem mais natural com o tempo e não é mais uma questão procurando desesperadamente por respostas. . . Caminho Eu fugo desde sempre, do quê? Eu corro todo dia Me escondo nas rodovias Sou da sombra, fugitiva De mim mesmo, caçador Quando chego muito perto Estico o braço e quase acerto Mas me falta a coragem De prender meu próprio eu

poemas; encontros

O maior sonho do meu eu de nove anos atrás era ter uma amizade perfeita e de, no mínimo, sete anos. Eu ainda não tenho nenhuma amizade que tenha atingido essa meta, além da minha cachorra, mas eu posso dizer com certeza que tive muito mais amigues que essa eu antiga imaginaria. Perdi pessoas importantes, ganhei pessoas mais importantes, ressignifiquei meus conceitos de amizade e importância, aprendi como cultivar afetos e continuo aprendendo outras coisas. Conviver com várias pessoas, afastar-me delas e me aproximar de outras, em meio a diversos arrependimentos e erros eu conheci novos lados da minha personalidade. Agradeço a todos os envolvidos em fazer eu me tornar quem sou hoje, mas, principalmente, aos que me mostraram que eu valho a pena como ninguém tinha feito antes. Obrigado a todos que me fizeram conhecer o amor. . . . . . . . Aos meus amigos Presentes ou já perdidos Mortos ou ainda vivos Do cotidiano ou desconhecidos Quero dizer olá Mesmo a distância Sofro com a inconstância ...

poemas; mudanças

Ano passado, na semana do meu aniversário, eu tive uma crise depressiva terrível pela primeira vez em 3 meses sem sair de casa, sem ver as pessoas mais importantes para mim. Foi como se tudo o que estava reprimido dentro de mim nos últimos meses colidisse de uma vez, sem aviso prévio, em uma semana eu estava fazendo convites virtuais para uma ligação de aniversário e na próxima eu estava cogitando sumir novamente e cortar contato temporariamente com meus amigos. Felizmente, recuperei parte da minha sanidade a tempo e, após passar muitos dias seguidos chorando ou pensando besteira, no dia em si fui a pessoa mais feliz do mundo. Eu não queria estar passando mais um aniversário longe de quem eu amo, mas, como isso é inevitável, eu decidi apenas publicar aqui este poema e esperar que dessa vez só fiquem as memórias boas. . . . . Desejos Que todos os anos sejam curtos Pois assim nunca me sentirei cansado Que todas as risadas sejam longas Para que eu tenha sempre seu riso ao meu lado Que tod...

poemas; enganos

Quando eu era pequeno, costumava ver um passarinho azulado constantemente pelo bairro e, há alguns meses, quando o mamoeiro aqui de casa ainda estava de pé ele visitava rotineiramente para bicar alguns frutos. Eu semprei achei que seu nome era azulão e juro ter ouvido meu pai chamá-lo assim diversas vezes. Só recentemente descobri que seu nome é na verdade sanhaçu ou, como se estivesse óbvio, sanhaçu-do-mamoeiro. Inspirado pelos pássaros que vejo presos na frente das casas do meu bairro ou à venda em casas de ração pela cidade e como um pedido de desculpas por ter errado seu nome por tantos anos, fiz esse poema: . . . Céu azul Sanhaçu cativo Quer dançar ao vento Quer sair aos céus Preso entre grades cinzas Como suas penas lindas Cobertas pelo azulado véu E à noite deprimido Vai se esvaindo A força do cantar Não lhe sobraram sonhos Quando o sol nasceu Morreu como o luar

poemas; descompromissos

Escrevi esse poema quando estava perto da casa de um amigo com o qual não mantenho contato atualmente. Sempre senti que algo entre nós não era compatível, seja pela minha parte ou pela parte dele, a questão é que nós dois não éramos nós mesmos quando estávamos juntos e, para mim, aquele ato de fingir ser outra pessoa se tornou exaustivo e estressante. Logo, eu, que sempre falava sobre romper laços antes de corromper as partes, preferi terminar nossa relação antes que eu o magoasse eventualmente, já que não era da minha real pessoa que ele gostava, e sim de uma das minhas personas. Em algum momento eu também parei de gostar da persona dele e nunca fiz questão de procurar sua verdadeira personalidade... . . . . Bilhete Os sinos estão tocando agora Me perdoe pela demora Eu sei que prometi voltar 10 badaladas atrás Os sinos estão tocando agora E eu sei que já passou da hora De você ter sua paz

poemas; observações

Esse ano a temporada de chuva chegou atrasada e foi embora cedo, os dias foram mais quentes e mais ensolarados mesmo sem ser possível sair ou ir à praia. Ninguém saiu muito contente, mas eu trouxe um poema breve de uma das minhas idas nos anos anteriores. Eu acredito fortemente que essa é a descrição de uma cena tão comum que qualquer um, de qualquer idade, de qualquer lugar consegue visualizar com suas próprias memórias, inclusive eu mesmo não me lembro em que ano exato escrevi esse poema... Para alguns talvez a chuva não seja tão vívida como eu a retrato abaixo, mas a chuva traz vida enquanto leva embora a morte, filtra o que há de ruim enquanto encharca o solo de recomeço, especialmente de onde venho, céu chuvoso é benção e eu quis deixar minha impressão disso aqui. . . . Março Na chuva todos carregam seus guarda-chuvas Saem de casa cansados, caídos Voltam para casa secos de corpo, encharcados de alma Na chuva todos carregam seus medos Na volta todos abrem as a...

poemas; ciclos

Sempre achei engraçado o fato de termos documentos de mesmo nome para indicar nossa chega e partida, mais do que engraçado, acho irônico e, de certa forma, reconfortante. Reconfortante pois é como se voltássemos para o ponto inicial e, por mais frustrante que isso pareça para muitos, prefiro reiniciar ciclos do que caminhar por lihas retas que têm um fim. A linearidade nunca foi meu forte. . . . . Certidão O mundo começa e termina Com as mesmas letras sobre as mesmas linhas As mesmas palavras indígnas De serem da vida que as tinha Mas agora não tem mais Vida longa ao mortos Morte curta aos vivos

poemas; desordens

O poema de hoje foi escrito em 2019, mas ainda é, estranhamente, atual - ouso dizer que os últimos seis meses que passei dentro de casa são perfeitamente ilustrados aqui. Em meio ao caos é difícil organizar sentimentos e planejar ações, tanto que escrevi esse poema após o caos ter passado, deixando apenas os restos do que um dia foi concreto. Não é exatamente uma poesia reconfortante, mas, às vezes, o melhor conforto é saber que alguém entende a bagunça dentro de você, mesmo que ninguém saiba arrumá-la... ainda. . . . . . Caótico Sinto náusea todos os dias Uma dor angustiante me domina Quebros copos, pratos, pias Luto contra todas as vacinas Eu detesto a luz natural que irradia Quando abro a janela, nada me fascina Quero ler de novo, sentir poesia No canto da sala, sou pura toxina

poemas; apatias

Escrevi esse poema pensando no meu pai, ele estava dirigindo e eu, sentado no banco de trás do carro, observava-o pelo retrovisor. Nossa relação sempre foi silenciosa, mas eu não acho que esse silêncio tenha sido significativo ou aconchegante. Com o tempo percebi como ele era uma alma pobre. Tentei retratar isso nesse texto, mostrando como ele rejeitava as soluções oferecidas e se afundava cada vez mais na sua personalidade egoísta e distante. Hoje, eu vejo que meu pai nunca aprendeu como tratar dos sentimentos dele, muitos são assim, e o que mais me entristece é, às vezes, perceber que sou quase como ele... . . . . A máquina   O homem que não sabia amar Perdeu todo o amor que tinha Enquanto piamente repetia Que em nada o amor pode ajudar O homem que não sabia parar Perdeu todo o tempo que tinha Enquanto piamente repetia Que em nada o tempo pode ajudar O homem que não sabia falar Perdeu todas as palavras que tinha Enquanto piamen...

poemas; rótulos

Escolhi por deixar a introdução por último para reforçar o ideal de ilogicidade, absurdo que almejo para o poema e pois sei que o texto abaaixo necessita de muitas explicações; por isso, peço que, se necessário, releia-o mais algumas vezes e tente sugar o máximo que conseguir antes de tê-lo em suas mãos destrinchado por mim. . . . Prisão Eu nasci morto Eu cresci morta Vivi tanto para os outros Que morri sem viver Quando retomei minha vida E vivi-a tão corrida Que até mesmo na morte Eu vivia sem morrer . . . . Tenho muites amigues trans e não-bináries, incluindo eu mesmo, e foi inspirado nelus que escrevi esse poema. O objetivo final é causar estranheza e deixar dúvidas em quem lê: Por que a troca de gênero? A pessoa morreu ou não? Qual o limite do figurativo e do literal no poema? . A troca de gênero no início é essencial para mostrar as transformações ao decorrer de nossas vidas e a escolha da palavra morto/morta ilustra ambas a dor de nascer rotulade como alguém que você não...

poemas; reflexões

O segundo texto - e chamo de texto o que alguns chamariam de frase, outros de poema e muitos de perda de tempo - desta coletânea é uma curta reflexão sobre meu reflexo inconsciente. Para ilustrar que não são apenas espelhos físicos os capazes de mostrar-nos nossa face, escrevi um breve fragmento sobre como me sinto muitas vezes um ser sem identidade. Somos tão voláteis e tão inconstantes que, se não checarmos diariamente nossa imagem, corremos o risco de perdê-la para sempre; ou, se a confrontarmos constantemente, ficamos expostos a uma sensação ainda pior: viver em um corpo vazio, preenchido de incertezas, dúvidas e solidão. Para esses corpos vazios, pertencentes a ninguém, cujos donos não conseguem retornar, escrevi Espelho. . . . Espelho Eu não sou eu e, se um dia fui, não sou mais. Deixei de ser o que eu sou. E como eu era eu mesmo, antes de me tornar: Ninguém.

poemas; inícios

Ponderei por muito tempo se devia ou não publicar aqui meus poemas, escrevi vários rascunhos, tinha inúmeras versões e várias vezes esperei o primeiro dia do mês para começar um projeto. Como se pode notar, todas as tentativas falharam, alguns textos conseguiram ser postados apenas para mais cedo ou mais tarde serem retirados do ar. Por que me escondia? Por que os escondia? Não sei ao certo, claro que tenho minhas teorias, mas nunca alcancei uma conclusão e nem pretendo. Inicio essa coletânea de poemas com o meu primeiro poema publicado - excluindo os da época em que era jovem demais para entender poesia - com a esperança de que consiga terminá-la e mantê-la aqui; não há certeza em nada, mas esta é a beleza da vida para muitos. . . . Chiaroescuro O escuro Que de tanto ser encarado Se tornou o branco mais puro A luz Que de tão brilhante Até aos cegos seduz . . O título do poema leva o nome de uma técnica renascentista utilizada nas pinturas do século XV. A palavra, de origem ital...

Epítome Cinematográfica N° 01

Noite de sábado, lindo dia do mês de dezembro no qual eu me encontrava sem nada, aparentemente, para fazer. Uma televisão na minha frente, "por quê não assisto algo?", pensei e assim o fiz. Os adventos da tecnologia moderna propiciaram-me a bela experiência de ligar o Netflix e escolher um dos filmes ali presentes. Vasculhei minha lista de favoritos e a grande aposta do dia foi Old Boy, o clássico sul-coreano que ganhou uma releitura americana a qual não me interesso em assistir pois parece fraquíssima? sim, o próprio. Após terminar este lindo trabalho de Park ChanWook, uma linda ideia surgiu nos confins de minha mente, parcialmente pertubada, sobre fazer resenhas cinematográficas de 31 filmes assistidos em um período de 31 dias por esta que vos escreve. Eu tenho tempo suficiente, felizmente, também possuo condições de acessar vários filmes e aprecio muito ambas as artes de criticar e escrever- ainda mais quando não sou julgada nem lida - por isso iniciarei este belíssimo p...